quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Populações de não-me-esqueças alvo de estudo no Grupo Ocidental

A SPEA está a colaborar com o CIBIO-InBIO, do departamento de Biologia da Universidade dos Açores, num estudo para avaliar o estado de conservação das populações de não-me-esqueças, Myosotis azorica e Myosotis marítima, através do estudo genético das populações que existem para comprovar a variabilidade genética entre as diferentes populações e com esta informação  desenvolver as medidas de conservação necessárias para protegê-las.   

Sergio de Tomás Marín numa das fases de extração do ADN
Foto: Tiago Menezes.

Ambas as espécies são endemismos dos Açores, sendo a M. azorica endémica do Grupo Ocidental é uma espécie rara com muitos poucos indivíduos que caso não sejam tomadas medidas de conservação como a produção e transplantação para o habitat natural levada a cabo pela SPEA, com o apoio do Parque Natural de ilha e da Câmara Municipal do Corvo, na ilha do Corvo  desde 2015, pode levar ao desaparecimento das populações naturais, que estão sujeitas à erosão das falésias em que se encontram e da herbívoria por cabras e ovelhas assilvestradas.

Myosotis azorica na ilha do Corvo
Foto: T.Pipa
Para terminar fica ainda um agradecimento ao Parque Natural da ilha das Flores pelo apoio dado na recolha de amostras na ilha.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

LuMinAves: do Corvo a Santa Maria

Um dos pilares do projecto LuMinAves assenta em melhorar o conhecimento sobre as populações de aves marinhas, nomeadamente em actualizar as estimativas da abundância de roque-de-castro Hydrobates castro através da colocação de unidades de gravação automáticas, uma vez que o número de vocalizações está correlacionado com o número de ninhos, e consequentemente obtemos o número de casais reprodutores. Estas unidades de gravação tem vindo a ser colocadas em ilhéus das Flores, de Santa Maria, Graciosa e no ilhéu de Vila Franca do Campo, São Miguel.

Substituição ARU nas Flores
Foto: Carlos Silva

Além da monitorização do sucesso reprodutor da ave marinha mais abundante dos Açores e que maior encandeamento sofre por parte das luzes artificiais, o Cagarro Calonectris borealis, no ilhéu de Vila Franca do Campo, Nordeste e Corvo.

Monitorização do sucesso reprodutor na ilha do Corvo
Foto: T.Pipa

E a transposição de juvenis de Cagarro para a Reserva Biológica do Corvo com o intuito de que voltem dentro de 6-7 anos para ocupar esta área livre de predadores.

Juvenil de Cagarro transposto para a Reserva Biológica do Corvo
Foto: Bárbara Ambrós

No âmbito destes trabalhos tem ainda sido realizadas várias ações de sensibilização e educação ambiental que estão integradas no pilar da divulgação, dando conhecer os trabalhos aos jovens corvinos (3 ações, com 40 participantes), micaelenses (3 ações, 44 participantes) e graciosenses (1 ação, 17 participantes), infelizmente as condições climatéricas impediram-nos de permanecer o período necessário na ilha de Santa Maria e na ilha das Flores para realizar estas actividades que foram adiadas para uma data posterior.


Ações de Educação Ambiental no âmbito do LuMinAves no Corvo
Foto: Sérgio Marín
O projecto no qual a Campanha SOS Cagarro foi inserida este ano foi ainda apresentado no Corvo ao Parque Natural de ilha (6 participantes) e ainda aos parceiros da Campanha (11 participantes), como forma de não só dar a conhecer o projecto mas também com o intuito de melhorar a rede de recolha e salvamento de juvenis encandeados.

Apresentação do projecto ao Parque Natural de ilha do Corvo
Foto: Linton Câmara



quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

SPEA discute na DRRF o novo regime jurídico da caça nos Açores

A SPEA foi recebida no passado dia 4 de dezembro na Direção Regional dos Recursos Florestais (DRRF), para discussão do novo regime jurídico dos recursos cinegéticos e exercício da caça. 

Foram expostos argumentos por ambas as entidades relativos aos vários pontos levantados publicamente pela SPEA. A DRRF ofereceu garantias de que as galinholas e narcejas são monitorizadas regularmente e as suas populações se encontram estáveis nos Açores, e concordou com a importância de publicar anualmente no seu websiteos resultados dos censos dessas populações, bem como das estatísticas de abates. 

Relativamente aos outros pontos, existiu um reposicionamento da SPEA quanto à prática da cetraria no arquipélago, todavia a DRRF não considera necessário mexer na legislação no que diz respeito à caça aos patos, à utilização de furão, à caça junto aos trilhos pedestres ou até mesmo no uso de munições de chumbo, que constitui um problema ambiental e de saúde pública confirmado pela Agência Europeia dos Produtos Químicos. 

 
Foto: GaCS/DRRF

A SPEA espera que em próximas revisões da legislação possa haver abertura para considerar estes aspetos, mas reconhece a importância de discutir estes temas com a administração regional, e considera que todos os passos são importantes, desde que tomadosem prol de uma atividade cinegética mais sustentável.

O parecer da SPEA sobre a Proposta de Decreto Legislativo Regional n.º 6/XI – “Aprova o novo regime jurídico da gestão dos recursos cinegéticos e do exercício da caça na Região Autónoma dos Açores” pode ser consultado em: http://www.spea.pt/fotos/editor2/parecer_spea_propostadlrno6_xi_spea.pdf

MISTIC SEAS II: conhecimento local para uma melhor implementação da DQEM

No passado dia 21 de Novembro a SPEA foi convidada pela Fundo Regional de Ciência e Tecnologia como entidade coordenadora para apresentar o projecto MISTIC SEAS II  e os trabalhos desenvolvidos até ao momento a representantes da Direção-Geral da Política Europeia relativa às Regiões e Cidades, nas instalações do NONAGON. Esta foi uma oportunidade para dar a conhecer o que tem sido feito na região no que concerne à implementação das metodologias para avaliar a biodiversidade na Macaronésia, assente nos três grupos funcionais, tartarugas marinhas, mamíferos marinhas e particularmente nesta apresentação, as aves marinhas no âmbito do 2º ciclo da Directiva Quadro Estratégia Marinha e  que decorrem desde Março de 2017 a Março de 2019.

Apresentação do projecto MISTIC SEAS II a comitiva da DG REGIO
O projecto é co-financiado pela Comissão Europeia e tem ainda como parceiros  Direcção Regional de Assuntos do Mar (Governo Regional dos Açores, Portugal); Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais (Governo Regional da Madeira, Portugal); Direcção-Geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (Ministério do Mar, Governo de Portugal; a Direcção-Geral da Sustentabilidade da Costa e do Mar, e a Fundação Biodiversidade (Ministério da Agricultura e Pescas, Alimentação e Ambiente, Governo da Espanha); Direção Geral de Proteção do Meio Ambiente Natural (Governo das Canárias, Espanha); Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação e da Tecnologia e Inovação (Madeira, Portugal); e o Instituto Espanhol de Oceanografia (Espanha), uma vez que a preservação da Macaronésia é uma responsabilidade conjunta de Portugal e Espanha e segue as metodologias desenvolvidas no projecto MISTIC SEAS I que recentemente foi galardoado com o prémio Atlantic Project Awards.

Galardão "Atlantic project award"recebido pelo projecto MISTIC SEAS I

Foi ainda fomentada a importância da colaboração das entidades regionais em projectos internacionais, uma vez que o conhecimento profundo, os pontos de vista únicos e a forte rede local das entidades regionais é uma mais-valia para a melhor implementação dos projectos, assim como, lhes permitem partilhar experiências essenciais para contribuir para um aumento de conhecimento das próprias entidades regionais e consequentemente para a região.

De ressalvar ainda a importância da educação ambiental e divulgação dos trabalhos para o público em geral, uma vez que, e parafraseando Carlos Slim, "...a maioria das pessoas tenta criar um Mundo melhor para as crianças, quando na realidade devemos criar melhores crianças para o Mundo".

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

SOS Cagarro 2017: das Terras do Priolo ao Corvo

A Campanha SOS Cagarro é uma das campanhas de conservação e educação ambiental com mais sucesso e fez este ano 22 anos e tem como propósito alertar a população açoriana para a necessidade de preservação do Cagarro Calonectris borealis, uma espécie protegida que nidifica nos Açores. Em 2017 marca ainda a integração da Campanha no novo projecto Interreg Mac LuMinAves que pretende dar o passo seguinte, no que concerne ao impacto da poluição luminosa sobre as populações de aves marinhas, isto é, além de continuar o excelente trabalho de salvamentos e recolhas, pretende melhorar e afinar esta rede de recolha e em particular mitigar este problema. Uma vez que, o objectivo principal deverá forcar-se em resolver o problema identificando os pontos de maior sinistralidade e mitigando-os.


Acção de educação ambiental em São Miguel

Como habitual e desde 2009 a SPEA Açores colaborou activamente com o Parque Natural de São Miguel e Parque Natural do Corvo apoiando as diversas entidades envolvidas na Campanha SOS Cagarro coordenada pela Direcção Regional dos Assuntos do Mar.

Este ano não foi excepção e a SPEA em São Miguel e no Corvo continuou a colaborar nas acções de sensibilização para a população escolar, e no tratamento de juvenis acidentados no Centro de Recuperação de Aves Selvagens, no registo dos dados biométricos e na marcação com anilhas dos juvenis salvos durante as brigadas nocturnas diárias que se iniciaram a partir da queda do primeiro indivíduo no dia 20 de Outubro até ao dia 22 de Novembro. 


Juvenis libertados no Nordeste
No total foram 92 os Cagarros resgatados pela SPEA no Nordeste, 29 na Povoação e 70 os Cagarros salvos no Corvo, com a colaboração do Parque Natural de ilha. Tendo sido anilhados a maioria dos juvenis de Cagarro. Além da marcação com anilha, foram ainda registadas as medidas biométricas, nomeadamente da asa, tarso, peso, cúlmen e gonys, foi ainda identificado o género nos indivíduos que vocalizaram, é assim que podemos distinguir macho de fêmea, com esta última a ter uma voz mais grave. Os dados registados permitem-nos assim verificar a sobrevivência destas aves se capturadas, assim como, a sua idade, além de que nos permitem obter informação sobre a sua condição corporal e a sexagem.

Juvenil de Cagarro libertado em São Miguel

Além destes dados foram ainda registadas as coordenadas do local de salvamento para identificar os pontos críticos da poluição luminosa, de modo, a testarmos medidas de mitigação futuramente. Este terá de ser o mote, os salvamentos devem diminuir com a implementação de medidas de mitigação sobre a poluição luminosa, o que queremos é que os juvenis de Cagarro se aventurem pela primeira vez sem terem estas peripécias pelo caminho, ou seja, sem correrem o risco de se encadear e cheguem sem problemas ao seu destino, o mar.

O número de aves resgatadas só é possível com todo o apoio da população local que durante este período é parte integrante e fundamental para que estes juvenis sejam salvos. Sem todo o esforço diário de todos, SPEA, Parques Naturais e restantes parceiros (PSP, Marinha Portuguesa, Polícia Marítima, GNR, Câmara Municipal, EDA, entre outros) e da população, em particular a mais jovem certamente não teríamos estes salvamentos, que na região foram até ao momento 2806 juvenis.

Juvenil de Cagarro libertado no Nordeste

De ressalvar ainda o empenho na mitigação do impacto das luzes artificiais sobre as aves marinhas, onde várias Câmaras seguindo anos anteriores desligaram as luzes, e inclusive aplaude-se a Câmara Municipal do Corvo que seguiu o exemplo de 1991, quando ainda não existia Campanha SOS Cagarro e já o Corvo tinha proposto em ata de Câmara desligar as luzes da Vila do Corvo a partir das 00h30. Este ano o primeiro passo foi dado nesse sentido, com a Vila completamente às escuras das 3 às 6 da manhã durante toda a campanha. Facto que em conjunto com o pico de saídas em plena lua cheia, pode ter contribuído para o feliz baixo número de juvenis encandeados na ilha do Corvo.

Libertação juvenis no Corvo
Foto: T.Pipa

No Corvo as Brigadas, salvamento e libertação foram ainda acompanhadas por uma equipa da TVI a realizar uma reportagem para o Repórter TVI, de modo, a divulgar e promover a Campanha SOS Cagarro e em particular todo o apoio da população nos salvamentos.

Foram ainda registadas algumas aves mortas, alguns deles obtiveram tratamento mas infelizmente não sobreviveram. No Nordeste, o numero de aves encontradas mortas foram 5, na Povoação foram 1 e no Corvo 4. Os juvenis de Cagarro ao abandonar o ninho são encandeados e ficam sujeitos ao perigo de serem predados por gatos e cães ou mesmo atropelados por carros.

Terminamos mais uma vez com um grande Obrigada a Todos os que "Salvaram um Cagarro e Fizeram um Amigo!", os Cagarros e nós agradecemos.

Juvenil Cagarro
Foto: T.Pipa

Best Global model of the Year visita CAP

O Best Global model of the Year é um desfile internacional de modelos que teve lugar na Ilha de São Miguel na passada semana, de 15 a 18 de novembro. A SPEA associou-se a este evento como forma de promover, numa plataforma internacional, todo o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido para a proteção do Priolo e do seu habitat. No dia 17, o Centro Ambiental do Priolo (CAP) recebeu a visita 43 elementos deste evento, de 27 nacionalidades diferentes.




O Coordenador da SPEA nos Açores, Ricardo Ceia, esteve presente na sessão de abertura que decorreu no dia 15 de novembro e que contou com a presença dos promotores do evento e também da comunicação social da Região.


No dia 17 de novembro, 43 elementos do evento Best Global model of the Year visitaram o Centro Ambiental do Priolo, entre eles modelos e organização. Nesta visita, a equipa técnica do Centro fez uma visita guiada aos participantes. que tiveram assim a oportunidade de ficarem a conhecer todo o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela SPEA para a proteção do priolo e do seu habitat, a floresta Laurissilva dos Açores. Para além disso, visitaram o Jardim de Endémicas da Reserva Florestal da Cancela do Cinzeiro, ficando assim a conhecer algumas das espécies de plantas que fazem parte da floresta nativa dos Açores.






Quis a sorte, que alguns dos modelos deste evento tivessem, inclusive, a sorte de ouvir e ver um priolo no Centro Ambiental. Algo que foi motivo de grande alegria e admiração.


O Centro Ambiental do Priolo bateu um novo recorde: 27 nacionalidade no centro num só dia.


A SPEA agradece a oportunidade de divulgar o seu trabalho e todo o interesse demonstrado.

O Priolo agradece!

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

E a escolha foi BRUMA!

A cria de Cagarro Calonectris borealis da V edição da Lua-de-mel no Corvo já tem nome. A escolha da maioria dos seguidores recaiu sobre BRUMA, que com 42 votos venceu as sugestões da Aurora (36 votos) e Apus (3 votos apenas). A vencedora da sugestão é pelo 2º ano consecutivo a Sónia Manso (no ano anterior apadrinhou a Penas, a cria da IV edição) que além de ter apadrinhado a cria ganhará a versão impressa do ATLAS DAS AVES MARINHAS DE PORTUGAL.

Bruma (cria de Cagarro da V edição da Lua-de-mel no Corvo)
Foto: T.Pipa

Muito Obrigada a todos os que colaboraram na sugestão do nome e na escolha do mesmo. Continuem a acompanhar a cria de Cagarro mais famosa do Mundo, que pesa 960g e tem uma asa com 326mm de comprimento, está para breve a sua saída do ninho. Poderemos ter apenas mais uma semana para seguir a aventura da BRUMA, que nasceu no dia 18 de julho na mais pequena ilha, das ilhas de Bruma.