domingo, 25 de setembro de 2016

Educar para Preservar em Curta-Metragem

No passado dia 10 de Agosto a população do Corvo juntou-se a nós para mais uma sessão pública. Foram 50 os presentes na estreia de "Educar para Preservar em Curta-Metragem" uma apresentação da SPEA Corvo com a participação dos jovens actores corvinos sempre preparados para ajudar a preservar o meio ambiente.





Estes jovens foram essenciais na realização dos Scatches Ambientais, "Plástico Reutilizado é Menos 1 Afogado", "A maior Herança é Fazer a Diferença", "Poupe Água, a Água é de Todos!" e "Se queres Jantar?...o Mar tens que Preservar!" com o intuito de sensibilizar a população para a necessidade de proteger o seu património natural. No fim e como forma de agradecimento a todos os que tem colaborado com o projecto foi oferecida uma t-shirt do projecto.

Para se informar basta no link em seguida clicar!

Plástico Reutilizado é Menos 1 Afogado

A maior Herança é Fazer a Diferença

Poupe Água, a Água é de Todos!

Se Queres Jantar?...o Mar tens que Preservar!

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Os cagarros do Ilhéu de Vila Franca do Campo voam mais longe

Continua a avaliação do sucesso reprodutor da população de cagarros (Calonectris borealis) do ilhéu de Vila Franca do Campo. A população é acompanhada mensalmente desde a postura do ovo até ao nascimento das crias recolhendo dados da condição corporal e biometrias.

O cagarro é uma ave marinha pelágica que apenas se desloca para terra na época de reprodução, onde coloca um único ovo, numa cavidade no solo. O ilhéu tem uma colónia de cagarros, normalmente, com uma elevada taxa de sucesso reprodutor que varia em função de diferentes fatores (ex: predação e disponibilidade alimentar).

De forma a conhecer os hábitos, rotas e locais de alimentação e o uso de habitat marinho, três investigadores da Universidade de Coimbra, deslocaram-se ao ilhéu para colocar GPS em algumas aves (fig. 1). Estes aparelhos, para além de registarem as coordenadas geográficas e o percurso de voo destas aves, podem eventualmente ter sensores de pressão e humidade que nos indicam o comportamento da aves, respetivamente se está a mergulhar para se alimentar ou a repousar à superfície da água.




Colocação de GPS em cagarro

Dos 15 GPS colocados foram apenas recuperados 5. Os dados de momento estão a ser analisados tendo já sido apurados alguns dados curiosos da viagem de dois cagarros num período de uma semana. Na primeira imagem um cagarro esteve a alimentar-se ao longo da costa sul de São Miguel, visitando os ilhéus das Formigas e a encosta nordeste da ilha. A imagem seguinte, representa a rota de um cagarro a efetuar uma viagem longa para o Atlântico Norte.




Estes dados são surpreendentes e demonstram a elevada capacidade de movimentação destas aves. No entanto, os investigadores mostraram-se preocupados pela existência de muitas viagens longas para a obtenção de alimento. Estas aves visitaram com menos frequência os ninhos para alimentar as crias e estas perderam peso. O que leva a suspeitar, de uma generalizada falta de alimento disponível com um maior esforço na procura do mesmo.

Este trabalho teve o apoio da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, do Clube Naval de Vila Franca do Campo, do Parque Natural de ilha de S. Miguel e da Marina de Vila Franca do Campo.

Termina hoje o Concurso “Quantos Priolos há no mundo?”

Termina hoje, 15 de setembro, o desafio lançado no início do mês de Setembro, que pretende envolver todos na divulgação das estimativas populacionais resultantes da III Edição do Atlas do Priolo. – “Quantos Priolos há no mundo?!”

Já conta com vários palpites de alguns dos seguidores da página de Facebook do Centro Ambiental do Priolo e os vencedores serão aqueles que mais se aproximarem da estimativa encontrada pelos técnicos da SPEA.


Priolo
                                                                  Foto: Ruben Coelho

Ainda pode colocar a sua sugestão e vencer um dos prémios disponíveis neste concurso. Serão aceites todas as respostas enviadas até às 23h do dia de hoje.

Os vencedores serão contactados por mensagem privada no facebook.
Esteja atento, poderá ser um dos premiados nesta iniciativa!

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Ciências nas Férias: habitantes do charco

A segunda aventura nas férias consistiu numa saída de campo pelas "fontes" da ilha do Corvo, habitat preferencial para os habitantes do charco, que vivem entre a água e a terra, e por essa razão são denominados de anfíbios, pois tem vida dupla. 

Foto: Tânia Pipa

Podem dividir-se em 3 ordens (Anura, rãs, sapos e relas, que não tem cauda quando são adultos, tem membros posteriores longos para poderem saltar e os machos são excelentes cantores, ou seja, tem cordas vocais muito úteis para chamar a atenção das fêmeas na época do acasalamento; Urodela ou Caudata, salamandras e tritões que possuem cauda durante toda a sua vida; e por fim a ordem Apoda ou Gymnophiona, sem patas, membros locomotores e sem cauda ou muito reduzida, mais parecidos com as minhocas (anelídeos, invertebrados) mas com a diferença de serem vertebrados).  

Nos Açores há apenas 2 espécies, a Rã-verde (Rana perezi) que se encontra por todas as ilhas desde que foi introduzida no século XIX e o Tritão-de-crista (Triturus cristatus) introduzido no século XX na ilha de São Miguel. Apesar de exóticas não apresentam impactos negativos para o ecossistema do arquipélago, inclusive tem um efeito benéfico pois contribuem para o controlo dos insectos, de outros invertebrados, são fonte de alimento de peixes, aves, e mamíferos sendo bons indicadores do bom estado ambiental do ecossistema.

Além deste conhecimento foi ainda possível aos 12 participantes observar a morfologia da Rã-verde e a importância da sua conservação, e a evolução/adaptação adquirida devido ao clima ameno dos Açores, onde o Tritão-de-crista não hiberna, uma característica que possui no seu habitat de origem.

Foto: Tânia Pipa

Ciências nas Férias: aventura noturna colorida por vidálias

Em tempo de férias foi tempo de largar os livros e partir à aventura no campo. A primeira aventura começou numa noite de verão onde os audazes aventureiros munidos de lanternas visitaram o território da vidália Azorina vidalii da família das Campânulas pelo seu formato da flor lembrar um sino. Esta aventura teve a colaboração da Drª Julie Weissmann uma fiel escudeira no que respeita ao conhecimento e protecção desta planta. 

                                         

Foram 14 os aventureiros que ficaram assim a conhecer melhor este endemismo dos Açores, que no Corvo pode ser observado nas zonas costeiras e em zonas de muita produtividade de nutrientes e que inclusive dá cor a muitas das canadas e casas da Vila do Corvo crescendo livremente sob a rocha vulcânica. Foi ainda dado ênfase aos insectos como importantes polinizadores e também às ameaças a que estão sujeitas, nomeadamente, as constantes alterações que ocorrem no seu habitat, característica inerente das zonas que ocupam, na maioria de influência antropogénica, as plantas invasoras como o espinafre da Nova-Zelândia Tetrgaonia tetragonioides e o salgueiro Tamarix africana, o uso de pesticidas, pisoteio, erosão, tempestades e herbivoria. 

                                         

Despedi-mo-nos assim, de uma população com mais de 3500 indivíduos maduros, uma das maiores populações nos Açores, classificada como em perigo crítico pelos critérios da IUCN (2001), protegida pela Convenção de Berna (revisão de 2002) – Anexo I e pela Diretiva Habitats DL 49/2005 de 24 de Fevereiro – Anexo II, considerada uma espécie prioritária que ocupa uma área total de 252km2 (Comissão Europeia, 2009) nos Açores e daí que as medidas de conservação aplicadas no projeto e pós-projeto com a sementeira direta da espécie no interior da vedação antipredadores da Reserva Biológica do Corvo permitem não só a recuperação do habitat como permitem a dispersão da espécie numa área protegida livre de ameaças.












segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Reunião na Graciosa marca o arranque de uma nova Era para a conservação das espécies de aves a nível Europeu

Na passada quinta e sexta-feira estiveram reunidos diversos especialistas com o objetivo de iniciar o processo de definição do Plano de Ação Europeu para a conservação do painho-de-monteiro. Esta reunião, promovida pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), marca o início de uma nova Era para a conservação das espécies de aves a nível Europeu.

Em 2015 a Comissão Europeia apostou na BirdLife International para liderar um projeto que definisse as linhas orientadoras para os futuros Planos de Ação de Espécies da Europa. Foi assim que surgiu o Life EuroSAP, um projeto que junta 10 países, 16 espécies-alvo e 13 parceiros. Em Portugal, o projeto conta com a representação da SPEA, que é responsável por liderar o Plano de Ação do painho-de-monteiro. O EuroSAP conta com o co-financiamento do Progama LIFE+ da Comissão Europeia, do Secretariado do Acordo para a Conservação das Aves Aquáticas Migratórias Afro-Euroasiáticas (AEWA) e da Fundação MAVA.


 No dia 8, uma visita rápida ao ilhéu da Praia, onde se encontra uma das principais colónias de painho-de-monteiro, marcou o início da sessão de planeamento do Plano de Ação Europeu para a conservação daquela que é a única ave marinha endémica dos Açores. Posteriormente, o grupo de trabalho, baptizado em 2014 como “Monteiroi task-force”, reuniu-se na biblioteca municipal de Santa Cruz da Graciosa para discutir aquele que será o futuro do painho-de-monteiro. Foram identificadas as principais ameaças a que a espécie se encontra sujeita atualmente e definidas as ações que são necessárias tomar para responder para garantir a prosperidade da espécie. Foram discutidos não só os aspetos relacionados com a sua biologia e conservação como também encaradas as oportunidades que o painho-de-monteiro pode trazer para a região, principalmente ao nível do turismo da natureza. Por exemplo, a observação de aves é uma atividade cada vez mais procurada por turistas quer estrangeiros como mesmo já nacionais, e para um país e região que encaram o sector do turismo como prioritário para o seu desenvolvimento económico, é de fato extremamente importante explorar de uma forma equilibrada os valores naturais existentes.



 Na reunião estiveram presentes os representantes de várias entidades públicas e privadas, nomeadamente o Parque Natural da Ilha Graciosa, o Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores/MARE, MARE da Universidade de Coimbra, a Direção Regional de Ambiente, a Direção Regional dos Assuntos do Mar, Direção Regional do Turismo e Transportes, a Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa, o Turismo dos Açores e a SPEA.

Pode ainda assistir à reportagem emitida na RTP Açores:

Paínho-de-monteiro é espécie alvo do Projeto Life EuroSAP




quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Tartaruga dá à costa no Corvo: efeitos do lixo marinho?

No passado dia 18 de agosto deu à costa na praia do Corvo uma tartaruga boba Caretta caretta morta. Uma vez que uma equipa do DOP (Departamento de Oceanografia e Pescas) se encontrava na ilha para estudar a fauna e flora marinhas do litoral costeiro, foi realizada a necrópsia da tartaruga no sentido de determinar as causas de morte. Assim junta-mo-nos a eles para mais uma acção de sensibilização ambiental da população.


Fotos: Frederico Cardigos

Ao observar o estômago da tartaruga foram observados pedaços de plástico, e ainda que a causa da morte não possa ser determinada com certeza, o plástico pode ter sido um factor determinante. Todos os anos morrem por asfixia ou ingestão de fragmentos de plástico mais de um milhão de animais marinhos, desde mamíferos marinhos, tartarugas, aves marinhas, peixes e até o zooplâncton devido às micro-partículas.


Fotos: Frederico Cardigos

O lixo marinho, e em particular o plástico é hoje em dia uma das maiores ameaças para o meio marinho. Sabe-se que cerca de 80 % do plástico encontrado no mar tem origem terrestre. Este é levado por enxurradas para o mar ou despejado directamente nos rios ou no mar, percorrendo milhares de quilómetros até formar as ilhas de lixo devido à confluência das correntes oceânicas, neste momento existem 5 ilhas de lixo no planeta, muitas delas do tamanho de países.

Esta foi mais uma forma de rever conhecimentos já apreendidos nas aulas de educação ambiental e observar na prática todo o impacto que estamos a causar no meio marinho.

Fica ainda um Obrigado ao DOP pela disponibilidade e aos 12 participantes na actividade. Esperemos que tenham agora a vontade para mudar comportamentos e que contribuam para a diminuição do lixo no mar e efeito deste nos organismos marinhos.